Se a sua empresa é do Simples Nacional e presta serviço, 1º de novembro de 2026 é uma data pra anotar: a partir dela, a nota fiscal de serviço — a NFS-e — passa a ser emitida pelo Padrão Nacional.
Não é imposto novo. É a nota mudando de lugar. E o problema de mudança de lugar é sempre o mesmo: quem não se preparou descobre no dia em que precisa emitir e não consegue.
Este texto explica o que muda na prática — e, principalmente, como saber se o programa que você usa pra emitir nota está pronto. A parte tributária é com o seu contador; a gente deixa claro onde uma coisa termina e a outra começa.
O que mudou, sem tecnicês
Até hoje, cada prefeitura tinha o seu jeito de emitir nota de serviço: o seu sistema, o seu portal, o seu formato. Quem presta serviço em mais de uma cidade conhece bem a dor — cada lugar com uma regra.
O Padrão Nacional junta tudo num modelo só, do governo federal. Mesma nota, mesmo formato, no Brasil inteiro.
A data era 1º de setembro de 2026. Em agosto, a Resolução CGSN nº 191/2026 adiou para 1º de novembro de 2026, pra dar tempo a municípios, sistemas e empresas de se ajustarem. Ou seja: o adiamento já aconteceu, e ele existia justamente porque muita gente não estava pronta.
Quem precisa se mexer
| Situação | O que muda em novembro |
|---|---|
| Simples Nacional (ME e EPP) que presta serviço | Passa a emitir pelo Padrão Nacional |
| MEI | Nada nesta parte — já está no Padrão Nacional desde 2023 |
| Lucro Presumido ou Real | Não há data federal única: depende do município |
| Só vende produto (NF-e) | Esta mudança não é com você |
Se você está na primeira linha, continue lendo.
Onde a sua nota sai hoje decide o que você precisa fazer
Aqui está a parte que quase ninguém explica. O trabalho que você tem até novembro depende de como você emite nota hoje:
Você emite no portal da prefeitura, uma por uma. Vai passar a emitir no emissor nacional, que é gratuito e funciona pela internet, com a conta gov.br. O trabalho é aprender a tela nova e conferir se os seus dados cadastrais estão certos lá. Faça isso antes de precisar — não no dia em que o cliente está esperando a nota.
O seu sistema emite a nota sozinho. Esse é o caso que mais pega de surpresa. O programa que hoje conversa com a prefeitura precisa ser adaptado pra conversar com o Padrão Nacional — é outro caminho, outro formato. Quem faz essa adaptação é o fornecedor do sistema. Se ele não fez, em novembro a nota para de sair do jeito que saía.
O seu contador emite por você. Então a conversa é com ele: confirme que ele já está emitindo pelo Padrão Nacional e se precisa de algum dado seu.
O teste que vale fazer agora
Se o seu sistema emite nota, faça uma pergunta ao fornecedor, por escrito:
"O sistema já emite NFS-e pelo Padrão Nacional? Consigo emitir uma nota de teste antes de 1º de novembro?"
Três respostas possíveis:
- "Sim, e aqui está como testar." Ótimo. Teste mesmo assim — com uma nota de valor baixo ou no ambiente de testes, se houver.
- "Estamos trabalhando nisso." Pergunte a data. Se ela for depois de meados de outubro, você está apertado demais pra ter plano B.
- Resposta vaga, ou nenhuma. Trate como não. É o sinal que mais importa, porque não se resolve em dois dias.
Já vimos esse filme uma vez neste ano: em agosto, a Receita passou a recusar nota de produto sem os campos novos da reforma tributária, e muita empresa descobriu na hora que o sistema não estava pronto. A gente escreveu sobre isso em nota fiscal rejeitada por IBS e CBS. A NFS-e é a mesma história, só que com a nota de serviço — e com aviso prévio. Aproveite o aviso.
E os tais campos de IBS e CBS?
A reforma tributária usa a NFS-e no Padrão Nacional como base pra registrar os dois tributos novos, o IBS e a CBS. Pra quem está no Simples, a exigência de preencher esses campos começa em 1º de janeiro de 2027.
Na prática, isso significa que novembro é o primeiro passo e janeiro é o segundo — e o mesmo sistema precisa dar conta dos dois. Se você vai ter que ajustar o seu agora, vale perguntar ao fornecedor se a versão que ele está entregando já contempla os campos de janeiro, pra não fazer a mudança duas vezes.
Se você é do Simples, tem ainda outra decisão com prazo curto, até 30 de setembro de 2026, sobre como recolher IBS e CBS no ano que vem — explicamos em Simples Nacional: você tem até 30 de setembro pra decidir.
Onde termina o contador e começa a gente
Pra ficar claro: quem diz se você é obrigado, desde quando e em que regime, é o seu contador. Este texto não substitui essa conversa.
O que é da nossa conta é o programa. Se o seu sistema emite nota, ou se você quer parar de digitar nota uma por uma no portal, o que precisa existir é um sistema conectado ao Padrão Nacional, emitindo sozinho a cada serviço fechado — a nota saindo sem ninguém lembrar de fazer. É esse tipo de ligação entre sistemas que a gente monta em automação e integrações.
O resumo, se você só quer a resposta
- Simples que presta serviço: a partir de 1º de novembro de 2026, NFS-e pelo Padrão Nacional.
- Emite no portal da prefeitura: aprenda o emissor nacional agora, com calma.
- O sistema emite sozinho: pergunte ao fornecedor, por escrito, se já está pronto — e teste.
- O contador emite: confirme com ele.
- Janeiro de 2027 traz os campos de IBS e CBS: resolva as duas coisas de uma vez.
O pior momento pra descobrir que a nota não sai é quando o cliente está esperando por ela.
Não sabe se o seu sistema está pronto? A gente olha como a sua nota é emitida hoje e te diz, em linguagem de gente, o que precisa mudar até novembro — e se precisa. Fale com a Smytex.